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''E se?'' A metafisica do contraditório no passar do tempo

Peço a permissão e a devida reticencia para ofuscar do traço critico e politico a minha escrita de hoje. Essa que se empenha em esforços por ora semanais, por ora mensais, por ora sem hora. Veja, o voluntarismo do painel é a tônica que brada esse sitio na internet. Assim espero que o convite esteja dado. Escreva para cá.


Pois bem, nesse exercício de mudar o norte daquilo que meus dedos vêm comungando com o teclado me deparei à necessidade de escrever sobre algo sempre sentido por todos, mas distante dos debates: a transposição da nossa vida em relação ao tempo - a potencia que temos de não fizer o agora-. A necessidade de estar sempre em constante contagio com o futuro, arquitetando a melhor oportunidade de não vivenciar imprevistos, de não se atrasar, não se estressar. Os ‘’problemas’’ tem vinculo com a trajetória que elaboramos para o nosso tempo, seja isso em pequena ou larga escala, algo complicado.


De modo assim a substanciar nossa condição naquilo que não fazemos, entenda, se você tem a liberalidade de escolha para um trajeto calmo, aquilo que você deixa longe do seus passos é propriamente mais importante daquilo que você escolhe. É a máxima do ‘’se ‘’, o sujeito oculto que mais causou arrependimento na cabeça humana, ‘’e se eu fizesse aquilo’’ e se eu fizesse isso’’ o inacabado é o que não foi vivido por regra. Portanto desse modo o pronome ‘’se’’ demonstra muita afetividade com o inexistente.


A condução do ‘’se’’ com a visão prospectiva são contundentes no embrião do senso comum, nosso dirigismo de possibilidades esta atrelado a essas duas grandezas condicionantes uma de sentido pretérito a ( - e ‘’se’’-) produzindo um cenário de comparação entre as nossas escolhas. E a outra de sentido futuro, condicionando nossas escolhas a resultados sem contradições.

Em poucas palavras, o prospero e o indigesto são os movimentos produzidos na equação da nossa perspectiva temporal. De maneira que a filosofia, a qual, por muitos se dispôs a responder isso pela via da nossa capacidade metafisica de assimilação do mundo dentro dela se denominou de varias maneiras.


Entretanto, aqui como não se é uma cátedra filosófica nem uma consultório psicanalítico, vamos reduzir a conversa em miúdos, se vive o tempo sem se pensar como se vive ele, esse é o ponto de inflexão que venho conduzir por momento. A altura em que estamos tao empenhados em decidir as coisas, não nos atemos de certo ao processo, isto é, trabalho ou faculdade aos 17, casar, ter filhos, construir uma casa, comprar um carro, esse é o lótus programático que nos influencia de maneira rude e conduz nossa percepção de mundo sempre a expressões de arrependimento ou êxito, leia-se, arrependimento como um êxito mal sucedido.


Todavia essa dicotomia que condiciona a preocupação tanto futura quanto passada( arrependimento) tem sua natureza positiva ela nos projeta um certo efeito material, não cabe o juízo de valor quanto a sua moralidade mas sim o seu movimento, e isso evidentemente acontece, o prisma de fazer ‘’boas’’ escolhas é o fio condutor da ontologia moderna.


Logo em virtude do temor do futuro configura-se uma sociedade especulativa, a estratégia racional é a operação de dosar nosso tempo, de maneira que aqueles que sabem ‘’viver’’ são tidos como aqueles que melhor se relacionam com a fluidez temporal.


Portanto existe um caminho implementado na cognição, não imprimida aqui de maneira universal, veja , esse não é um esforço de construção de paradigmas apenas uma reflexão a cerca dos segundos. Tendo em vista isso, voltemos a analise superficial, essa inerência ‘’instintiva’’ nos influi subjetivamente de maneira própria, porem comum. Se o tempo tem a mesma percepção comum, sua particularidade esta preservada só na leitura, ou seja, temos a mesma capa com capítulos diferentes quando reflexionamos o tempo.


Somando essa força fluida temos a relatividade que também ocupa um espaço em toda a equação metafisica aqui composta. De modo que ao menos a visão de que o tempo passa diferente a todos é mais nítida, portanto, é necessário antes de viver o agora, se aproximar do agora de maneira epistemológica.


O conhecimento como formula de garimpar soluções é conformado como a maior aproximação possível em um plano terrestre entre o abstrato e o real, conhecer é compreender além do próprio, sendo assim, ao discutir e acentuar a proposta do que é o tempo, o agora, temos que também nos aprofundarmos em seu debate cada vez mais, atentar assim a filosofia e outros formas de produção que emergem para além dos números, ou dos planos futuros e frustrados, Pensemos o tempo.

Até semana que vem, ou qualquer hora, se tudo der certo.

Haron Francelin



Bacharel em Ciências Sociais, graduando em Direito. Fazer voz é observar o tempo, entusiasta das palavras.

Ilustração capa : Magnum

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