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Encontro no pasto. Gados na esquerda

Gados de esquerda ? Existem sim


A aderência e a afinidade têm diversos caminhos para serem diagnosticados dentro da margem das ciências sociais. Sejam elas psicológicas, sociológicas, antropológicas ou até mesmo de limites legais. Sabe-se que qualquer forma de afeição pode ser vinculada á real afinidade, ou até mesmo ao cinismo.


Veja, muito se reverbera nos ditames que os eleitores de direita, ou melhor, de Jair Bolsonaro, são gados. Gado é a expressão que biologicamente sintetiza aquele que age de maneira fisiológica, isto é, ao badalar do sino se aproxima ao coxo para se alimentar, sem provocar em si nenhuma reticencia, gados seguem o rebanho, seguem á fila e isso é um conhecimento de todos os fazendeiros.


Porem aqui o assunto se distancia das faces pecuaristas, voltaremos à tipificação politica que por ora foi assumida a aqueles que não se questionam. A negação na filosofia politica é tratada como a forma critica, digamos politizada de assimilação, ou seja, o ser politizado não é gado, pelo contrario, ele se questiona sobre os tramites e os caminhos acessíveis a sua concepção de um mundo melhor. Pois bem, quais são as explicações que nos conduzem a não se insurgir ao inquestionável, existem muitas e não serei eu o codificador de tamanho desafio. O que quero aqui é sensibilizar as esferas do pensamento dito como de ‘’esquerda’’ que você também pode estar sendo gado.


Dado a duvida e o questionamento, a condição humana nos perpassa pela faculdade do aceitável ou não, isso nos engrandece como ser humano, nos torna mais fortes , veja, então porque seguimos o caminho mais cômodo ?


A resposta por mim encontrada é a sensação de proteção. Desperto essa provocação por na ultima semana ter visto um episodio que me saltou aos olhos, pela tamanha cara de pau e para não usar palavras mais sujas, desrespeito e falta de comprometimento, pratico e ideológico. Vamos aos fatos, o então postulante a presidência Ciro Gomes e o antigo presidente Luís Inácio Lula da Silva,’’ Fizeram as pazes’’. Ora quem eles pensam que são para afrontar de tamanha maneira seus eleitores, como eles conseguem não se sentirem entojados por essa aproximação. O que eles esperarão o Brasil ter a maior taxa de desemprego dos últimos 20 anos, ou mais de 150 mil óbitos pelo Covid. Francamente essa badalada de sino não me levara ao coxo, não hoje e não mais.


Muitos amigos meus críticos políticos, letrados no assunto disseram: faz parte da politica. Entendo, a politica é a arte da cisão e da coalizão, não discordo. Mas e a resposta critica a tamanha falta de empatia, fica para depois ? Não aqui nesse texto.


Ninguém é impoluto e acrítico, nem mesmo Jesus passou sem sofrer afrontes na vida, e assim devemos ser em todas as esferas de nossa composição humana, na politica não há de ser diferente.


Esse encontro intempestivo só mostra o desespero que esses políticos se encontram com uma crise de identidade do seu eleitorado. As bases do partidos trabalhistas sempre foram fomentadas pela ordem trabalho, Lula se insurgiu como figura publica dentro de um chão de fabrica, entretanto com a mudança na logica do capital, o qual afastou o trabalhador do trabalho coletivo e o colocou como um prestador de serviço autônomo essa particularidade se ruiu. Bresser Pereira um dos maiores intelectuais brasileiros alertou sobre o novo fio condutor do liberalismo e a dificuldade dos partidos trabalhistas de se aproximarem dela, eu reifico as ideias de Bresser e alerto ao desespero de Lula e Ciro ao perderem o chão, chão de fabrica.


Essa tentativa de uniformidade é nociva por que não olha para frente, se volta ao passado, não assimila as dificuldades colocadas pela nova ordem capitalista, apenas afirma que os políticos ditos como de esquerda estão perdidos, e os eleitores deles mais ainda.


O clima de paz, ofusca o real problema. Como possibilitar um enfrentamento ao liberalismo que mudou a subjetividade do eleitor? Como cooptar a classe trabalhadora de novo ? Como dualizar com as politicas de direita, essas ditas com uma linguagem mais conservadora e assim mais familiarizadas ao senso comum.


Respondo: não fazendo as pazes. Vamos nos centrar em formar um pensamento progressista critico. O qual se sensibiliza com os processos históricos e com as condições de experiência que estamos inseridos, só assim poderemos nos distanciar das badaladas do sino, do viés de crenças personalistas, da forma teísta de ver politica. O primeiro movimento é dizer não. Não Ciro, Não Lula. Não é assim que aceitaremos os desdobramentos no campo democrático. Os quadros partidários estão repletos de novas figuras e novas ideias e essas serão as coordenadas necessárias para a ruptura.


Assim termino e convido meus leitores a um exercício introspectivo e critico, o que te aproxima do seu candidato uma razão critica ou uma simbiose protetiva. Fica aqui a provocação!

Haron Francelin


Bacharel em Ciências Sociais, graduando em Direito. Fazer voz é observar o tempo, entusiasta das palavras.


Ilustraçao capa: IG


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