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Governo Bolsonaro e a previsão do imprevisível.



Inicialmente agradeço o convite feito por Haron Barbério, idealizador do Site, para escrita e publicação de textos autorais. Em tempos de quarentena, nada melhor do que colocar as idéias no papel para organizar o pensamento. Escrevo aqui, ignorando o rigor metodológico ou o aprofundamento teórico sobre os temas debatidos, porém, acredito que a vivência em ambientes distintos, bem como experiência acadêmica e profissional, permite criar impressões que dialoguem com a realidade sobre minha perspectiva. Incentivo os outros a fazerem o mesmo, sobre pontos de vista diversos, possibilitando trocas e expansão de idéias.


Começo assim a tratar da política nacional atual sobre o governo Bolsonaro. Lembro-me bem do dia 28/10/2018, confirmada a eleição do “dito Messias”, com mais de 55% dos votos válidos, senti um desânimo particularmente visível as pessoas em minha volta. Lembro-me dessas pessoas queridas, nem tanto envolvidas com a política institucional, tentando me incentivar com frases como: “Calma, é tudo farinha do mesmo saco”. Bem, infelizmente maiores interessados na temática sabiam que mudanças drásticas viriam. Aqueles com olhar mais sensível a política ou maior interesse sabem que seus atores não são “Farinha do mesmo saco”, e comparando com o objeto em questão, não é necessário ser cozinheiro para saber que “farinha de rosca” e “farinha de trigo” resultam em receitas distintas.


Paralelo a isso, um clima “nacionalista”, “anticomunista” (considerando o grande desconhecimento sobre o tema), com discurso “anticorrupção” (muitos asteriscos cabem aqui), tomou grande parte da população com esperança de mudança do presente, mas ignorando o passado e demonstrando que a construção do futuro não é feita através da repetição de conceitos vagos (Quero um Brasil sem corrupção!), quando não absurdos (Vamos fuzilar a petralhada!).


Implantou-se uma forte defesa de isenção ideológica, acreditando que a política pode ser feita sem a presença de grupos partidários por exemplo. Tal processo decorre de movimentos anteriores (incluindo manifestações de 2013) que demandam de muita analise. Porém, olhares mais atentos à política nacional, também reconhecem que não existe isenção de valor! (Senhor Weber já nos alertava) e tais manifestações como aquelas parecem se relacionar com movimentos de Pós-política (Supervalorização da tecnocracia) e Ultrapolitica (Militarismo e Nacionalismo), mas prometo debater esses conceitos em artigos posteriores.


Passado quase um ano e meio de governo, após uma série de polêmicas envolvendo o presidente e atores que o compõe (os filhos do presidente denotam de episódios à parte), relembro, rapidamente dos incidentes internacionais com a China, os escândalos que envolveram o partido (PSL) e posterior saída de Bolsonaro dele, a queda de ministros (diversos) e atualmente, todas as criticas que envolvem a condução do combate a pandemia do Covid-19, o governo segue renovando polêmicas e agindo como se tivesse em eterna campanha.


Pessoalmente, não me identifico com a frase “Eu avisei”, tão difundida nos dias atuais. Na verdade mesmo sabendo que seriam tempos difíceis, eu não avisei nada, pois a política atual segue caminhos nebulosos e não se utiliza de GPS para se encontrar. Aliás, como cientista político (não praticante se é que isso é possível) esperava que mesmo com seu discurso “Liberal na economia e conservador nos costumes” Bolsonaro se naturalizasse no ambiente institucional e buscasse fugir das polêmicas que poderiam resultar e redução de apoio. Inúmeras opiniões de gente realmente entendida sobre o tema concordavam com essa linha de pensamento.


Como fui tolo! Após o primeiro período de governo, observamos que Modos Operandi, ou como se diria nas quebradas “o proceder” do governo busca o cenário de confronto. Entrega o braço, a perna, até a cabeça se precisar! na expectativa de manter o corpo e não tem vergonha nenhuma disso. Protegido por uma espécie de Áurea Militar (outro tema que demanda de muita analise!), segue em polemicas e não a busca diminuição do embate.


Nesse sentido, por mais que suas ações sejam até previsíveis (quem não sabia que ele iria jogar o Moro aos Leões, após o último conflito?), o resultado da política que nos espera é incerto. O que podemos fazer é levantar hipóteses e impressões de curto alcance temporal, algo que faremos nesse espaço, mas sabendo que tal governo não possui precedentes de atuação limitando a analise a observação do presente.


Percebe-se que o “flerte” com o autoritarismo está cada vez mais sério, esse já freqüenta nossa casa (só ligar a TV aos domingos) e conhece nossa família (quando não fez parte dela). Porém, entre “idas e vindas”, a única certeza é que o amanhã é incerto.


Desconfie de quem vende resultados absolutos sobre processo de Impeachment ou continuidade do governo no presente momento. Sabemos como ele age, mas não sabemos qual será o resultado disso.


Heythor S. Oliveira - Crônicas de um passado incompleto, de um presente bagunçado e de um futuro nebuloso

Cientista Social (UFSCar), Mestre em Ciência Política (UFSCar)  e especialista em gestão pública municipal (Unifesp). Trabalhador do SUAS e morador da Zona Sul da capital paulista. Falo sobre politica e assuntos diversos . Tentando acreditar em um mundo melhor,me ajudem.


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