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Indica #10-Kiriku;Os Homens e as Mulheres - Filme

Escrevo com muita satisfação a este quadro do No Painel - projeto que está se consolidando como fonte para a diversidade analítica, divulgando variadas discussões devido ao compromisso democrático assumido pelos colaboradores, pela socialização da produção textual - para indicar uma produção audiovisual de interesse principalmente dos que buscam referências de entretenimento infantil.


Me refiro a entretenimento infantil por sua definição como categoria, mas certamente Kiriku Os Homens e as Mulheres (Kirikou et les hommes et les femmes) é uma ótima referência educativa independente da faixa etária. Produção ideal para quem busca sair do padrão Disney no gênero infantil, que consegue ser educativo sem ser pedante ou apelativo.


Trata-se da terceira parte, produzida em 2012 (lançada em 2015 no Brasil), de uma trilogia não contínua dirigida pelo francês Michel Ocelot, composta também por Kiruku E a Feiticeira e Kiriku e os Animais Selvagens. Kiriku E a Feiticeira funciona como uma estória geral e os outros filmes são compostos por narrativas de acontecimentos que seriam paralelos à essa estória como se não coubesse no espaço tempo de Kiriku E a Feiticeira, e então são agrupados por temas: Animais selvagens e; homens e mulheres.


Os três filmes são indispensáveis e conversam muito entre si. Trata-se de uma pequena aldeia africana, aparentemente durante o período conhecido por Antiguidade Clássica. Kiriku é um menino envolto de ares místicos que já nasce correndo, com todos os membros do corpo bem definidos e falando de forma bem articulada, mas com estatura equivalente a um picolé. Sua sagacidade, agilidade e coragem ditam a dinâmica dos acontecimentos.


A preferência por indicar o terceiro filme é referente à carga de conteúdos sociológicos presente. Nas quatro estórias que compõem o filme é bastante explorado a relação comunitária, com situações de convivência que pedem inteligência emocional, cooperativismo, tecnologias sociais e utilização de mecanismos para tomada de decisão. Assim é composto um quadro com costumes, hábitos e conhecimentos que representam a cosmologia daquela comunidade.


O filme acerta na abordagem para discutir xenofobia, racismo, opressão de gênero e demonstra como a transmissão oral é importante, valorizando a ancestralidade, a mística e a comunicação.

O desenho tem cores marcantes que valorizam tanto as representações em ambientes naturais, como a representação da vegetação doméstica (hortas e plantações), mas o grande destaque desta obra é a sonoplastia e trilha sonora. São composições singulares, com predominância de xilofones, cordas, percussão e flautas, com diversidade de referências da musicalidade africana.


A última estória narrada no filme é uma boa aula de educação musical, com indução à percepção da musicalidade como indispensável para reprodução social. O filme termina em um frenesi sonoro e a música composta para acompanhar os créditos finais fecha com chave de ouro esta obra prima.


Espero com este escrito ter descrito uma produção indispensável para quem busca referências necessárias para sua própria formação ou para oferecer uma opção de muita qualidade à outrem.

Bom proveito aos leitores, cinéfilos e educadores!


Trailer :



Texto do indica : Lian Guilherme

Ilustração capa: Imovision

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