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Indica #12- o anel do nibelungo- Quadrinhos

O quadrinho começa a contar a partir do momento que Alberich, um “anão” Nibelungo, encontra 3 sereias enquanto nadava no rio Reno, elas estão lá para guardar o ouro do Reno capaz de conceder poderes ao ser que conseguisse moldar aquela metal em um anel, para isso, Alberich descobre que precisaria renunciar, abrir mão do amor para ter poder, ele toma essa decisão conseguindo moldar o anel. Com o anel e poder em suas mãos, ele escraviza os outros Nibelungos, sua própria raça. Por outro lado é mostrado o Valhala, um palácio majestoso encomendado por Voton (o autor utiliza os nomes originais da obra de Wagner, sendo Voton o deus conhecido pelo nome de Odin), o deus tenta negociar com os irmãos gigantes Fasolt e Fafnir que foram responsáveis pela edificação, uma forma de pagamento diferente da que já haviam combinado anteriormente, Voton tinha prometido aos gigantes a mão de Freia irmã de sua esposa Fricka que não gosta nem um pouco desse acordo, Freia é fundamental na vida dos deuses, ela que cultiva as maças que responsáveis pela eternidade e a força dos deuses, as irmãs suplicam para que seja encontrada outra solução para o dilema. Durante esse complicado impasse, surge Logé (Loki) muito ardiloso e através de sua habilidade para lidar com situações ele convence que o melhor pagamento pela construção do Valhala seria o ouro que é propriedade do Nibelungo. Logé e Votan partem em procura de Alberich e acabam descobrindo o poder contido no anel moldado com o ouro do reno, esse poder começa a causar diversas reações nos personagens envolvidos na trama daquele momento e passará a influenciar muitos outros elementos que irão aparecer na história mais para frente ao longo de anos e gerações.




Com a pequena introdução acima, gostaria de indicar o “O Anel do Nibelungo” de Philip Craig Russell, o autor se baseia e adapta para os quadrinhos a ópera de Richard Wagner intitulada com o mesmo nome. Craig Russel consegue ser fiel a ópera de Wagner recontando ela através do formato de quadrinhos. Richard Wagner cria sua opera com base nos “Eddas”, textos que registram a mitologia nórdica que era transmitida oralmente e a partir disso cria uma historia tão original que até passa a se confundir com a mitologia real. Wagner iniciou em 1848, e passou os próximos 26 anos escrevendo os libretos com a história que acompanha a ópera e compondo a música, um trabalho colossal, cada personagem, cada passagem da história tem uma musica, um tom de voz para representar o que está sendo encenado. Uma opera é composta por musica, teatro (atuação) e texto (libreto), a representação teatral dessa obra de Wagner é extremamente difícil de ser apresentada, todos os 4 ciclos que compõe a historia tem um cenário mítico e grandioso, um dragão, uma montanha inteira pegando fogo, o gigantesco e imponente Vahalla, a cavalgada das valquírias, gigantes, sereias, é mais viável muitas vezes encenar os ciclos separadamente no teatro. Dito isso, mais um ponto positivo de acompanhar a historia pela historia em quadrinhos de Craig Russel, conseguimos acompanhar os ciclos de forma continua começando pelo “O ouro do Reno”, passando por “As valquírias” e “Siegfried” e encerrando com “O crepúsculo dos deuses”. O cativante da obra é a leitura que se difere da maioria das historias em quadrinhos que estamos acostumados, no “anel do nibelungo” o autor não tem pressa para contar como as coisas se constroem e as interligações entre os personagens, como uma atitude influência outras, não tem tantas cenas de ação e lutas como em um quadrinho da Marvel ou DC, mas sim uma história épica contada em seus ricos detalhes de interações dos mais diversos seres, como foi dito mais acima, é uma história que se passa por anos, gerações, e tudo se interliga, interessante observar como até os deuses descritos tem falhas, cometem erros e tentam consertar, parecem até “humanizados” como até Voton se desenrola para resolver problemas por ele mesmo criados, diferente daquela ideia que temos também de um Deus todo poderoso que em um estralar de dedos pode resolver a mais difícil situação. Quem gosta também de Tolkien vai identificar varias influencias como o anel e a relação de poder e cobiça que ele desperta, Alberich (Gollum), o personagem que vira dragão (Smaug), Votan (parecido fisicamente com Gandalf o cinzento no momento que ele sai caminhando pelo mundo). O tempo que Wagner levou pra conclui-la, o tempo que Craig Russel levou pra adapta-la, desenha-la, as cores de Lovern Kindzierski, refletir como uma obra pode passar nas mãos de vários artistas e tudo isso compor um resultado grandioso, pensar em tudo isso enquanto lê a faz valer muito a pena, o quadrinho é publicado no Brasil pela editora “Pipoca & Nanquim”, os libretos originais em alemão foram traduzidos para o Inglês por Patrick Mason e adaptados ao quadrinhos por Craig Russel e esses quadrinhos foram traduzidos do Inglês. Na versão em português Alexandre Callari o tradutor e Arion Wu responsável pelas letras e fonte fizeram um ótimo trabalho mantendo o mais fiel possível ao original, Arion deixou o mesmo formato das letras originais feitas pelo Galen Showman, a forma que ele “desenha” as letras em alguns quadros também é um show a parte . Por fim indico uma experiência após uma primeira leitura da obra, procurem na internet os ciclos musicais compostos por Wagner (Das Rheingold, Die Walküre, Siegfried, Götterdämmerung) e coloquem de fundo, escutem a opera enquanto vão acompanhando a história no quadrinho.


Texto Indica : Rodrigo ''Barba'' Marconi

Ilustração capa: P. Craig Russell

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