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Indica #16 – Vidas Secas -Livro

De certo que nosso período letivo nos conduz a certos diagnósticos, sejam eles positivos ou negativos. Com a literatura não seria diferente, em recente conversa com uma amiga, a qual é formada em letras, percebi a reticencia que a escola produz em obras clássicas da literatura brasileira. Isso se despertou quando minha amiga me disse:


- Haron, você nunca leu vidas secas ?


Como resposta sentenciei :


- Já ouvi falar na época de escola, porem não me recordo muito.


E essa pulga se instalou atrás da minha orelha. Passado alguns dias dei um google em ‘’ vidas secas’’ e descobri realmente que era um livro obrigatório na base curricular do ensino medio. Todavia, eu deixei passar no tempo de escola, agora não cometeria o mesmo equivoco. Caminhei a livraria mais próxima da minha casa, livraria essa que também tem nome de outro autor clássico Machado de Assis, o qual esse que vos escreve é devoto, porem na Machado de Assis eu comprei Graciliano ramos -que os deuses da literatura me perdoem-.


Confessado o pecado, em um domingo monótono e tedioso sentei na rede do meu quintal de concreto e comecei a folhear despretensiosamente o livro de Graciliano, a ressaca do dia anterior não me permitiu nesse primeiro momento uma investida maior, em alguma medida li duas ou três paginas, fechei o livro. A remota lembrança do colégio me aflorou a cabeça novamente e meu deu forças para a leitura, não poderia deixar Graciliano passar, não dessa vez e não agora.



Reforcei o café preto e completei o meu metabolismo com o livro em um lugar de silencio. Pasmem após 3 horas estava na mesma posição, sem celular, tv , ou qualquer meio tecnológico que ofuscasse a minha vontade analógica de leitura. Realmente Vidas Secas é incrível, faz jus a todos os elogios que se perpetuaram nas escolas de letras, e com toda certeza se deve a obrigatoriedade nas grades currículares.


A historia é incrível, em breve resumo sintetiza a estética brasileira, a real estética essa própria e genuína a qual muitos tentam acabar ou de alguma maneira se distanciar. O nordeste, o povo, o clima, a luta pela ruptura entre o arcaico e moderno, é disso que se trata vidas secas, uma produção completamente ligada a nossa cultura, um resgate do brasil elementar.


A passagem do sacrifício do papagaio de Fabiano é o núcleo para mim de todo esse engodo provocado, Fabiano é uma ilustração do brasileiro, sobretudo nordestino, as lutas contra a adversidade, fome, exploração de trabalho, descompasso familiar; não o fazem desistir e sim ficar mais forte. De historias de superação os noticiários e programas sensacionalistas estão cheios, mas esse não é o caso de vidas secas, ele não venera a superação, mas critica a forma como ela é romantizada.


O povo não precisa sofrer é isso que Graciliano trata, necessita de terra, cultura e alimento, porem não precisa se sujeitar a mazelas pra conseguir. Não vou me alongar nos detalhes da historia para provocar no leitor desse blog á curiosidade de ler Vidas Secas, e logo digo : vocês não irão se arrepender.


Texto do Indica: Haron Barberio Francelin

Ilustração capa: Companhia de letras


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