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Indica #2- Queen & Slim-Filme

O Indica de hoje é do filme Queen & Slim. Com roteiro de Lena Waithe (Primeira negra vencedora do Primetime Emmys – prêmio da indústria televisiva estadunidense) e dirigido por Melina Matsoukas (Vencedora de Grammys pela direção de clipes famosos de Beyonce e Rhiana), o filme estreado em 2019, apresenta temáticas atuais e fundamentais sobre Racismo, violência política e revolta popular.


O enredo conta a história do primeiro encontro de Queen (Jodie Turner-Smith) e Slim (Daniel Kaluuya), um casal negro que se conhece através de um aplicativo. Com o término do encontro, o casal sofre uma abordagem violenta realizada por um policial branco com resultado trágico. O filme se desenvolve pela fuga do casal a partir dos acontecimentos posteriores.


A narrativa se desenrola de forma lenta, porém detalhada sobre a construção de identidade dos personagens a partir de um processo de autoconhecimento e experiência pelo contato com outros personagens. Os protagonistas se tornam símbolos, mesmo sem querer, de um movimento de resistência à coerção policial e as estruturas racistas que se perpetuam nas instituições locais. Não é um filme para quem espera ação frequente ou ruptura instantânea no decorrer dos acontecimentos, ele se destaca para além da relevância da temática e necessidade de entendimento do racismo inerte as certas estruturas sociais, pela construção do processo identitário dos personagens e desenvolvimento do amor, resultado da admiração e luta mútua.


Em uma das cenas iniciais, que mostra a abordagem policial, necessita de destacamos, de modo especial, detalhes relacionados ao comportamento dos sujeitos e a problematização sobre a naturalização do racismo. Nela, Queen que é advogada, opõe-se à atuação do policial seguindo uma perspectiva legalista. Não há como não relacionar ao Mito da Democracia Racial e o falso entendimento de que os preceitos legais se refletem de forma isonômica (igualdade perante a lei).


O filme retrata o contexto estadunidense (inclusive citando rapidamente diferenças geográficas no racismo local), mas a abordagem policial violenta e o racismo são diários no cotidiano nacional. Aliás, a problematização e o aprofundamento dessa temática são fundamentais para que o movimento #BlackLivesMatter sai do Instagram e do Twitter e passe a ser discutido e entendido em sua perspectiva histórica e diária em solo brasileiro.


Em tempos de mobilização por Floyds e Guilhermes, busquemos introdução as lutas para além das #Hashtags.


Trailer :






por : Heythor Santana

ilustração de capa: Amazon filmes


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