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Max Weber e a Lava Jato- Da origem a fama- pt.1

Max Weber, filosofo, economista, ex militar e professor alemão, considerado um dos ‘’três porquinhos’’ da sociologia, não por acaso, sua literatura com a de Marx e de Durkheim são “cânones”. Dedicou-se, em sua vida fundamentalmente ao entendimento das instituições; Weber acreditava na potencia desses esqueletos funcionais que operam a dinâmica social e através disso, refletiu sobre as nuanças postas pela modernidade .


O seu estudo das instituições foi guardado de muito esforço para compreender, sobretudo o funcionamento e os arranjos internos que possibilitavam a elas serem o que são e o respeito e subserviência em que as pessoas depositam sua sorte de vida sobre elas. Hospitais, presídios e escolas são essências na desenvoltura do mundo moderno e isso ele buscou entender melhor nesta trajetória.


Tendo em vista todo esse objeto complexo, Weber desgastou uma narrativa minuciosa sobre todo o enredo formal e material pelo qual as instituições operam, ele traçou um panorama nutrido da historia e da comparação entre diversos lugares para detalhar; não um universalismo, mas formas eficientes pelos quais as instituições se construíram, um “modus operante” próprio e comum que elas elaboram e obedecem .


Percebeu através dessa composição, que as instituições sofreram um processo de desvirtuação se distanciando dos seus ideais de origem, assim, os ideais de origem formulados pelo mundo moderno, por meio do iluminismo, desidrataram.


As instituições deixaram de ser instrumento dos ideais iluministas e modernos, conhecidos como direitos sociais e passaram a lutar pela própria sobrevivência. Como assim ??


Destarte, abandonando os ideais para se perpetuar no tempo, apenas como exemplo: a escola não visa mais o aprimoramento da autonomia do individuo, seus moldes são de eficiência, obedecendo o rigor técnico. Ela passou a ser avaliada pelo quantidade de aprovados e não pela qualidade e capacitação, leia –se qualidade como emancipação individual que é herança do iluminismo.


Os hospitais, presídios e outras instituições seguem a mesma lógica de luta pela continuidade através do crivo técnico e quantitativo, essa capacidade de mudança que as instituições sofreram desenvolveu uma dinâmica interna, compreendida por Weber como burocracia. A burocracia seria o tempo das instituições, por ela as instituições operam o arranjo social que delas necessitam, portanto, a burocracia não se coloca mais como um modelo resolutivo, mas sim, um controle funcional de perpetuação que possibilita o poder daqueles que estão engendrados perante àqueles que á usufruem.


Pois bem, feito todo esse ensaio sucinto sobre conceitos “Weberianos”, coloco a questão da Lava Jato e sua transformação institucional, essa que vem ultimamente servindo de campo de conflito entre diferentes níveis do Ministério Público. Antes de qualquer linha sobre isso tudo é necessário conceituar o Ministério Público e sobretudo seus ideais, que podemos tratar de maneira objetiva como um órgão independente dos três poderes, o qual serve de modelagem para que essa tríade, executivo, legislativo e judiciário não funcione de maneira excedente.O Ministério Público é uma instituição autônoma e fiscalizadora e tem no seu corpo, procuradores e promotores atuando no sentido de preservação do espirito constitucional e da tutela da ação penal.


A origem e a fama


É tempo de se ater aos atores, principalmente a polarização formada recentemente entre a Força Tarefa da Lava Jato e a Procuradoria Geral da República, a confusão começa em 2014 com o desenvolvimento de uma investigação batizada de Lava jato, investigação essa, que anos seguintes seria os autos mais famosos do Brasil. - Lá em 2014, ela começou pequena, como um novelo de lã-.

Seu início se deu através de uma investigação da Policia Federal sobre um posto de gasolina, o qual servia de instrumento para lavagem de dinheiro publico visto que, o seu faturamento era desproporcional ao tipo de serviço prestado.


A Policia Federal começou um movimento de destrinchar o esquema desse posto e acabou se deparando com um esquema complexo de corrupção passiva, ativa, lavagem de dinheiro, prevaricação dentre outros crimes contra a administração publica, esse esquema atingiu “peixes” grandes da politica nacional brasileira, senadores, deputados federais e até mesmo presidentes da república, como Luís Inácio Lula da Silva e Michel Temer.


Grosso modo, o esquema se constituía em pagamento de propinas acertado para o enquadramento de licitações à certas empresas. O momento do Brasil era de crescimento econômico, sobretudo pela venda de comodities à China.


Esse efeito de efervescência possibilitou o desenvolvimento do amparo privado e público, ao desenvolvimento de politicas publicas de construção civil e de extração de petróleo, podemos assumir como titularidade de todo esse engodo duas empresas centrais nesse processo, a Petrobras e a Odrebecht. Estas, assumiram figuras centrais no desenrolar de todo processo da Lava Jato.

Empresas essas, que tiveram dentro de seus quadros figuras cruciais para a construção de toda uma solidez investigativa, através desses personagens e de um esquema conhecido como deleção premiada, pôde atingir uma gama grande de figuras da politica publica e empresarial brasileira.

Entendendo a matéria é necessário voltarmos o espirito àquele mesmo que Weber avisou como sendo desvirtuado pela noção de perpetuação das instituições. A Lava Jato na incidência desses acontecimentos bradou em seu bojo a dimensão do combate à corrupção, ao levantar essa bandeira ela trouxe à si, a forma de força contrária a algo que atacava o Brasil e essa característica fez da Lava Jato, desde o seu inicio uma força quase incontestável.


Os primeiros anos de alongamento desses procedimentos foram vistos com bons olhos por grande parcela dos brasileiros, ao ponto de adesivos em carros com a frase ‘’ lava jato eu apoio’’.


As ruas também não foram diferentes, as pessoas saíram cantando e difundindo a mensagem que a Lava Jato era um marco na história do combate a má gestão pública brasileira.


Assim, as figuras que se nutriam dessa investigação que são o Ministério Público e o juiz natural Sérgio Moro se tornaram celebridades de todo um jogo midiático, No polo de acusação o coordenador da Força Tarefa, o promotor Deltan Dallagnol despontou como um zelador do combate a corrupção, ele Deltan, até construiu um “power point” explicando todo um esquema de operação da lava jato.


Já o juiz Sérgio Moro nasceu como um ser ilibado dentro de todo um mundo pobre como uma espécie de contrario a tudo que atrasava o Brasil e assim estávamos perto de formular uma das maiores aberrações já feitas dentro de todo ordenamento jurídico nacional.


Começava-se a salientar uma maquina de condenações aos crimes do colarinho branco pareciam pela primeira vez serem realmente combatidos no Brasil. A fama da Lava jato se consolidou. Porem, tudo que é bom dura pouco já avisa o ditado e assim a lava jato foi se distanciando cada vez mais do seu ideal, ou na voz de weber do seu espirito, entretanto esse tema é assunto do artigo de amanha.


Continua...

. WEBER, Max. A Política como Vocação. In: WEBER, Max. Ciência e Política,Duas Vocações. São Paulo: Editora Cultrix, 1996.


Weber, Max. Economia e Sociedade. Brasília: EdUnB, 1991.


WEBER, Max. Ética protestante e o espírito do capitalismo. São Paulo: Pioneira, 1999.


Haron Francelin



Bacharel em Ciências Sociais, graduando em Direito. Fazer voz é observar o tempo, entusiasta das palavras.


ilustraçao capa: apublica.org

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