No painel de hoje 
Buscar
  • Painel

Max weber e a Lava Jato- Projeto de poder e contragolpe- pt.final

No esforço de não reiterar aquilo que já foi encaminhado nos textos anteriores, esse prevê um vislumbre sobre a prosperidade e os possíveis desdobramentos que a transformação ‘’espiritual’’ sofrida na Lava Jato pode reverberar na esfera politica nacional.


Do projeto de poder


Ao encaminhar a mudança como agente público pela perpetuação midiática, Sergio Moro se consolidou como possível candidato viável ao próximo pleito eleitoral, todavia, essa mutação se deu através de uma inserção no próprio quadro do executivo. - O fim do texto anterior-, trouxe a afinidade e a vitória de Bolsonaro com apoio de forças “lavajatistas” e a partir desse momento, a proximidade e fusão dessas figuras dentro do primeiro governo bolsonarista.


Moro atingiu a pasta do Ministério da Justiça importando da Lava Jato o espírito anticorrupção e capitalizou para si, a agenda dessa matéria e formulou uma continuidade no foco da opinião pública, entretanto, sem Moro a própria Lava Jato se enfraqueceria ou ela teria atingido seu objetivo com a sua empreitada no executivo?


A resposta, é sim para ambas perguntas, sem Moro e com o enfraquecimento sofrido em decorrência das denuncia realizadas pelo site The Intercept, a Lava Jato desidratou, se distanciando dos holofotes, causa essa que levaria ela a reviver investigações antigas, se associar com forças de inteligências internacionais, não compartilhar dados a outras demandas do Ministério Público, tudo com objetivo de se perpetuar na “crista da onda”.


Já Moro, agora desvinculado atuava como um ‘’politico’’, cumpria agendas, fazia alianças, fomentava na sua figura uma nova via plausível. Assim, a Lava Jato enfim conseguiria formular um projeto de poder para além da burocrática jurídica, solidificando Moro em outra esfera estranhas daquelas de seu início, onde o ideal era uma simples reciclagem moral das praticas politicas abusivas pela via do combate a corrupção.


Com essa transformação a Lava Jato foi perdendo sua instrumentalidade, e por isso, necessitava de novas formas de alarde, porém, algo de inusitado iria romper esse fluxo lento de mudanças.


A pandemia do Corona vírus trouxe à tona uma composição inesperada para a logica politica, e Bolsonaro enfraqueceu, suas posturas, seu tratamento e sua gestão geraram desconfiança e distanciamento de certos aliados, um deles Moro. Era necessário nessa altura não mais a aproximação entre eles, mas sim a ruptura, a causa foram entraves dentro da Polícia Federal, indicações ou não de cargos, e o vinculo espirituoso entre ambos foi às ruinas.


Especulou-se muito sobre como seria o futuro e a resistência de Jair Bolsonaro, agora sem Moro e qual caminho Moro tomaria sendo nesse instante oposição, somado a isso a substituição na titularidade da Procuradoria Geral da República passou a ser outro percalço na continuação efetiva da Lava Jato.


Augusto Aras cobrou a publicidade das praticas internas da Força Tarefa e um alinhamento com a práxis do próprio Ministério Público, a ponto de encaminhar a subprocuradora Lindora Araujo para uma vistoria a despeito dos procedimentos adotados e se eles estavam ao arrepio das normas brasileiras.


Nessa acepção se constituía uma dualidade interna no próprio Ministério Público, a força de autonomia da Lava Jato entrava em xeque, visto que agora eles teriam que compartilhar suas ações. Essa natureza de ente independente não é permitida, portanto, a atuação da procuradoria de fiscalização é legitima, embora gerasse revolta de todos os procuradores da Força Tarefa sobretudo, Deltan Dellangnoll. A rigor a Lava Jato entrava em contradição com a própria instituição investigativa brasileira, o Ministério Público.


Contra Golpe


Impeliu–se um clima de tensão e isso cobrou resposta de atuação da própria Força Tarefa, sem Moro e abalada por Aras, ela retrucou. Weber mais uma vez ressalvaria a necessidade de perpetuação dos agentes pela burocracia, atuação essa alinhada com as novas ondas de investigações agora visando o PSDB e seus políticos, portanto as cartadas burocráticas da Lava Jato compõem a sua sustentação, agora tensionada.


Tendenciado a um contra golpe, após se tornar alvo de procedimentos duvidosos, reacender o foco ao combate à corrupção em oposição a instrumentalidade prática, foi o prisma de resposta utilizado pela Força Tarefa, tendo em vista as tantas variáveis sobre uma investigação, - é difícil delimitar até onde se pode chegar-.


Os imbróglios entre Aras e Força Tarefa chegaram ao STF em que em decisão monocrática e liminar, passível de mudança, o ministro do Superior Tribunal Federal Dias Toffolli determinou o compartilhamento de todos os autos com os demais regimes do Ministério Público, essa decisão soou como uma perda da credibilidade e confiança à aquela que já foi a queridinha do judiciário brasileiro - Lava Jato -.


Conclusão


É difícil definir os desdobramentos dessa que foi a mais notória investigação policial brasileira, seu enfraquecimento e seu projeto de poder ainda não demostraram estar totalmente visíveis, no entanto, a sua necessidade de perpetuação permanece, para quê? E com que objetivo?


Nestes textos propostos colocamos estes aspectos à análise de todos, dentro do entendimento que qualquer instrumento institucional sofre maleabilidades com a atuação dos seus agentes, entretanto para se combater a corrupção é necessário corromper o próprio estado de direito? Fica a pergunta para sua própria narrativa.



. WEBER, Max. A Política como Vocação. In: WEBER, Max. Ciência e Política,Duas Vocações. São Paulo: Editora Cultrix, 1996.

Weber, Max. Economia e Sociedade. Brasília: EdUnB, 1991.

WEBER, Max. Ética protestante e o espírito do capitalismo. São Paulo: Pioneira, 1999.

Haron Francelin



Bacharel em Ciências Sociais, graduando em Direito. Fazer voz é observar o tempo, entusiasta das palavras.



ilustraçao capa: Allan Santos

68 visualizações
O que você achou dessa exposição ?
APOIE A NOSSA CAUSA
Deixe uma doação única de R$10
arrow&v
logo painel.jpg
logo painel.jpg