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No painel convida #1 : brunno felype simões costa

No Painel Convida dessa semana temos 7 textos de brunno felype simões costa, poeta, pedagogo formado pela UFSCar, que recentemente reuniu boa parte da sua produção literária no endereço raiolazyfm.tumblr.com.


“1.”


às vezes é no banho que me arreganho todo nu como só em transe e danço danço danço


às vezes no banho sozinho suponho que a vida ali seja sonho pois fora desse bunker úmido quase tudo me parece bocejo sem sono


às vezes é no banho que rezo com os pés em tão poucos dez minutos de sabão baba e ranho


às vezes no banho sem xampu limpo a cuca vapor barato de minha sauna improvisada tenho as ideias mais malucas das vontades mais sadias


no banho e nu o banheiro vira termas onde preparo o salto pro seco do mundico que me espera


“i.”


quem anda pelas ruas é o medo


nas calçadas, pela noite, olhos baixos se baixam - por medo


os carros rápidos, os veículos lépidos, os motoristas intrépidos não param nos semáforos pois estão todos com medo

de manhã, bem cedo, não é segredo: desperta-se para acordar o medo


e é tanto açúcar! tanto doce! e há tanto doce para disfarçar o medo…


que está todo o mundo gordo, obeso!


porque não se emagrece quando caga-se de medo


“morramos”


morramos


morramos afogados na superfície das redes mas morramos com o troféu do lado honrados pelo suor que nos escorre por enquanto das faces míticos herois que somos de nossas vidas há muito precarizadas


morramos

morramos que daqui a pouco a poluição de nossas máquinas penetra nossos menores poros e a água que por dentro nos arrefece promove a explosão

morramos

como um tsunami de sangue e sal numa onda de gente uma colisão de tripas uma profusão de corpos sem história só trabalho produção empresa vida útil picos de memes perfumes de solidão

morramos

pois aqui o que há é amálgama de babel e arca espécie de poça suja com cheirinho de two one two sexy e gostinho de qualquer coisa “japa” em terça-feira de promoção


“meses”


os coreanos os japoneses sub urbanos e burgueses

alguns baianos e holandeses comerciantes também fregueses

às vezes tudo foge aos planos

e anos duram menos que meses


“transe”

a esperança contrabalança o medo e quem em deus espera no transe transa melhor

botei minha saia longa hoje é dia de culto o pastor homem astuto começa a ler jó

a palavra sagrada me lava de cima a baixo me contorço enquanto digo línguas que em mim acho

e sinto o frio do piso que não piso pois me deito e não é chão como leito que no chão eu só deslizo

o transe que agora transo me bota como sereia a cauda pra lá da meia a mente vai sem juízo

iara oxum sei não mas sinto todo o encantado na congregação eu nado em meio a louvação

miro todas irmãs pretas agora bem mais caboclas sem uma parte da roupa a mostrarem suas tetas

atravesso dias noites também tardes e manhãs num calor como de lã num prazer que sem açoite

canto igual lavadeira e retiro todas mágoas evangélica das águas sou uma crente brasileira


“rastro”

eu sou um astro na luz azul do céu

eu sou um rastro cabeleira que se perdeu

eu sou um mastro levantando bandeiras entre ilhas, estrelas

sou emplastro colado no breu


“rich totem”


se você fosse gato seu nome pimenta biquinho e se fosse pimenta daquelas que late e não morde

ou se morde o faz com dentes cheios de carinho o seu peito é um ninho tem leite com cheiro de morte

sete vidas, gata, pra nós talvez sejam poucas

você é um presente do cristo num embrulho de satanás

é veneno é vapor barato do boca a boca

como pode uma coisa tão louca trazer essa paz?


Acompanhe a obra de brunno felype simões costa com mais detalhes na pagina:


raiolazyfm.tumblr.com.



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