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No Painel convida #20 : -Marcelo Innocentini Hayashi -DESTRINCHANDO O DESMONTE DOS CEU'S

No painel convida desse sábado: Marcelo Innocentini Hayashi tem 28 anos e é natural de São Carlos (SP). Formado bacharel e licenciatura em Ciências Sociais pela FCLAr/UNESP e Mestre em Educação pela UFSCar. Já foi jornalista do Tribuna São Carlense, membro da APG/UFSCar e trabalhou como educador de atividades infanto-juvenil. Atualmente, é militante pelo PCB (Partido Comunista Brasileiro) e tem um canal no YouTube chamado Cordilheira Cultural (https://www.youtube.com/channel/UCojm08VkjMbVV0g-WJ9wmnA) onde discute sobre política, cultura, sociedade, entre outros, sempre com uma perspectiva crítica e com a intenção de transformar a sociedade em um novo mundo. Escreve cotidianamente no seu Medium (https://medium.com/@marceloih).


No início do mês, o atual prefeito de São Paulo, Bruno Covas (PSDB), e o Secretário Municipal de Educação, Bruno Caetano (ex-dirigente do SEBRAE), anunciaram um plano de privatização dos espaços culturais, esportivos e de lazer dentro dos Centros Educacionais Unificados (CEU), passando a gestão para Organizações Sociais (OS’s).


Fico muito revoltado de ver isso acontecer, pois minha pesquisa de mestrado foi pautada no estudo da Educação Integral, estudando especificamente o conceito de intersetorialidade aplicado na gestão pública.


Os CEU's (Centros Educacionais Unificados) são uma entre outras propostas de políticas públicas que perpassam princípios da Educação Integral no Brasil. Já tivemos outras experiências como: CECR (Centro Educacional Carneiro Ribeiro), Escolas-Parque, etc.


Primeiro é importante ressaltar: a Educação Integral (EI) que tá na nossa legislação não é vista na prática! O que temos na prática é a Escola de Tempo Integral (ETI), uma parcela das muitas que abrangem a EI.


Dito isso, é importante olharmos para as experiências do CEU como algo que foi um pouco além da ETI. Conheci pessoalmente em 2015 o CEU Heliópolis, localizado na zona sul de São Paulo, quase em São Caetano. Lá todos ambientes são 'interligados', ou seja, não há muros dentro do CEU. A escola fica próxima à quadra, e conta ainda com uma piscina, uma creche pública e alguns outros espaços de lazer, educação e cultura, como sala de informática e biblioteca.


Há muito se diz dentro da proposta da Educação Integral que há dois fatores fundamentais para o funcionamento da mesma: governabilidade e intersetorialidade.


Na minha pesquisa, não consegui afirmar com todas as letras (academia no Brasil é uma merda e dois anos é muito pouco para desenvolver um trabalho aprofundado), porém há diversos indícios de que a intersetorialidade é uma ferramenta pública utilizada como tapa buraco das políticas educacionais neoliberais. É algo que contribui? Sim. Mas não ataca a raiz do problema da nossa educação, que se liga diretamente à raiz do problema da nossa sociedade: o capitalismo.


A intersetorialidade coloca de frente uma ação conjunta entre diversos setores (educação, saúde, segurança, comunidade, etc.) sem perceber que cada um desses setores tem seus problemas práticos, concretos e financeiros (como a EC do Teto de Gastos, que limita o investimento em setores chave para o desenvolvimento social, como educação e saúde). Se não resolvermos a raiz do problema, tal ferramenta é um remendo em um machucado que necessita de pontos.



Sobre a governabilidade: é perceptível que a cada novo governo, seja ele do mesmo partido que o anterior ou de outro, há uma descontinuidade em projetos e políticas públicos. O projeto de Educação Integral é um deles.


O que estamos vendo hoje não é novidade, ao menos para mim que me debruço sobre a temática faz ao menos cinco anos. Isso é resultado de uma política neoliberal que precariza e sucateia cada vez mais nossa educação. O pouco que tinha fica pior a cada ano.


Ano passado, houve a tentativa de implementação do projeto 'Future-se' nas universidades públicas federais. Qual era a principal ferramenta desse projeto? As Organizações Sociais (OS's)! Pesquise rapidamente no Google: 'Organizações sociais rio de janeiro corrupção' e observe que isso não é uma política nova e muito menos boa.


A intersetorialidade, assim como as OS's, foi testada como ferramenta de políticas públicas primeiramente no setor da Saúde. Isso foi o que consegui comprovar na minha pesquisa de mestrado. O vem acontecendo ano após ano na educação brasileira, já foi testada em outro setor da política pública do nosso país. Se podemos dizer que hoje o setor da Saúde é o grande laboratório das políticas neoliberais do nosso país, a Educação é o resultado do aprimoramento dessas ferramentas anti-povo!


E não se enganem: ano passado o Future-se não passou nas universidades públicas, mas ele está passando agora direto na educação básica...


A privatização de parte do CEU só resultará em uma política: a da privatização do CEU como um todo! Ou seja, isso refletirá na necessidade que os governos neoliberais já tem em privatizar a educação brasileira. Válido lembrar que os grande conglomerados educacionais privados no Brasil almejam isso há anos, e a cada dia mais ficam mais perto. Os CEU’s muita vezes são o único mecanismo de acesso à cultura e lazer nas periferias de São Paulo. O que veremos na prática, é que não haverá separação entre o que está privatizado e o que não está. A legislação irá abrir brechas para que a atuação da política neoliberal seja ainda mais invasiva e destrutiva dentro da educação básica.


A defesa da educação 100% pública, gratuita e de qualidade perpassa sim entendermos de forma mais aprofundada possível o que são os projetos de desmonte da educação brasileira hoje e como elas se relacionam com os outros setores da sociedade, principalmente o setor econômico. O que se tira da educação hoje, vai para o bolso dos banqueiros, grandes empresários e herdeiros do Brasil e de outros países.


Tá mais do que na hora de organizarmos nossa revolta e nosso ódio de classe contra esse governo burguês, entreguista e parasitário que temos há décadas no nosso país.


"Ah, mas como fazer isso?", você pode perguntar. A resposta escrita é simples, a prática é complexa e demanda trabalho: organização do poder popular!


A luta é diária, mas só ela muda a vida! Até a vitória!

Ilustração capa: revista partes

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