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No Painel convida #25 : -Gabriel Conduta –Ensaios

Gabriel Conduta, natural de Jáu/SP, 21 anos e estudante de Direito, na Unicep. Nas horas vagas escreve, desenha e se diverte. "A melhor forma de expressão vem da felicidade da alma".

Insta: @coonduta

INSEGURA ANSIEDADE


Queria ser aquelas pessoas “suave vibes”. Ou eu queria ser aquelas que simplesmente não ligam para o quê dizem delas, não ligam para a reputação que criam delas. Queria ser alguém que eu admirasse, talvez, porque algo que impede a minha auto admiração. Algo não deixa eu ver em mim coisas maravilhosas que eu fiz, o quanto eu amadureci mediante tantas batalhas, muitas delas perdidas, mas sempre com um aprendizado. O problema está em mim! Eu sei que está ... Está no meu processo de aceitação. Por que eu não consigo aceitar quem eu sou? Por que eu tenho que me moldar para que assim eu não seja o alvo da roda de críticas? Por que simplesmente eu não ligo quando eu digo que não me importo, me importando com tudo? Cada detalhe, cada folha que cai, cada gota se transformando em uma tempestade em minha cabeça. Talvez seja por irsso que minha alma anseia tanto a liberdade, anseia uma saída. Mas onde? Quando? Quando eu vou achar a melhor saída? Eu não sei. Na verdade, eu nunca sei. Então porque eu sofro sabendo que não há resposta ou que a resposta seja o tempo? Eu não sei.

Gabriel Conduta


GRITO


Eu quero gritar – “aaaaaaaaaaaaaaaah” – mas será que foi tão alto, de tal forma que as pessoas puderam me ouvir? Será que elas puderam interpretar meu pedido de socorro? Não que eu esteja em perigo, longe disso. Mas, talvez, porque eu quero ser livre da minha própria indecisão, algo que não consigo. Vejo que me falta amadurecimento, hoje em dia, para a realização das melhores escolhas. Vou gritar de novo – “aaaah” – e agora? Será que me ouviram? Creio que ainda não, principalmente porque eu gritei mais baixo do que a última vez e devo estar mais cansado e inseguro do que antes. Estou sentindo minha voz enfraquecendo. Não estou pronto. Não estou pronto. Eu não estou pronto! Crescer, amadurecer, fazer escolhas. Crescer! Amadurecer! Fazer escolhas! Nada que tenha pressão, apenas: Fazer escolhas! “Faça a escolha certa, assim você não se arrepende”... Onde isso acaba? Na decisão que eu fiz, é claro! Porém, eu não sei se no momento foi a decisão correta a ser tomada, a decisão que eu realmente quis tomar. Ultimamente é isso que atormenta. Será que se eu mudar de ideia vai melhorar ou vai me deixar cada vez mais louco?

Gabriel Conduta


INSÔNIA


Estou no ônibus. Exausto, com muito sono. Sem vontade nenhuma de estar acordado, mas estou. Acordei atrasado devido a falta de sono pela madrugada. É muita coisa na minha cabeça, não consigo controlar a intensidade. Por sorte hoje, ao entrar no ônibus, eu consegui um lugar para sentar. Apenas estou ali, esperando chegar no devido local que irei descer, ouvindo o cotidiano de alguns trabalhadores. Não porque eu quero, mas pelo simples fato que as conversas pelas manhãs parecem ser mais altas e tudo parece mais demorado. E, também, porque meu fone quebrou recentemente. Nesse momento eu estaria ouvindo a minha playlist e refletindo sobre os meus atos, como se eu estivesse em um clipe, sabe? Pisco meus olhos e em questão de segundos passam – se trinta minutos – Como pode acontecer isso? – Mais uma vez perco o local onde desço geralmente. Estou cansado demais para andar, porém tento. É uma longa caminhada. Estou ansioso, não para chegar no ponto que eu perdi, mas para estar em casa novamente, tomar um banho e deitar na minha cama. Relaxar. Descansar. Dormir. Porém, ainda presumo mais uma vez a ausência de sono. E o ciclo se repete.

Gabriel Conduta


LUZ APAGADA

Quando éramos crianças não analisávamos nenhuma ação, se iria ser boa ou ruim. Simplesmente fazíamos e depois tínhamos o resultado da conduta consumada. Diferente de hoje, onde muitas vezes nos encontramos em uma análise moral do que é certo, do que pode ou não ser feito, ou pode ser ou não aceito na sociedade em que vivemos, no nicho que participamos. Uma análise importante que nos faz refletir, amadurecer e, ao mesmo tempo, nos tortura – Relembrar o passado talvez não seja tão maravilhoso para alguns - E pensar que algumas crianças tinham medo do escuro e do que poderiam encontrar se adentrassem na ausência misteriosa de luz - Será que tem um bicho ali? – Mas agora, o escuro se torna refúgio da criança “amadurecida” que não quer ser mais vista, do alguém que queira estar isolado de tudo e de todos.

Gabriel Conduta

Ilustraçao capa: Google Apps


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