No painel de hoje 
Buscar
  • Painel

No Painel Convida # 26- Victor Ferreira-O mais humano entre os Deuses

No painel convida dessa semana: Victor Ferreira, Corinthiano, maloqueiro e sofredor desde 1997

Poucos descreveram tão bem a América do Sul quanto Eduardo Galeano em suas obras. E todos sabemos que é impossível tratar do continente sulamericano sem falar de futebol e seus heróis. Definitivamente Maradona é um deles, ao meu ver, o MAIOR deles.


Segundo Galeano, Diego era “um deus sujo e pecador, o mais humano dos deuses”, e acredito que seja impossível definir o craque com tamanha precisão.


Diego era a síntese do exagero, uma verdadeira hipérbole ambulante. Maradona viveu, e viveu como eu viveria se fora ele. O exagero sempre foi parte de sua persona. Ora, ele exagerou ao deixar tantos ingleses para trás em 86. Exagerou também no mesmo jogo em levar a guerra das Malvinas para dentro do Estádio Asteca e, com a sagacidade cabida, dar com a mão o toque que vingaria seu povo naquela partida. Vingança essa, que por ironia do destino ou não, só poderia ser cumprida por mãos divinas.


Mais céticos costumam chamar esse lance de trapaça. Eu, particularmente vibro com aquele gol, sobretudo por todo o contexto histórico, como se estivesse assistindo o final de Django Livre, trama de Tarantino, onde o personagem principal mata friamente um a um àqueles que lhe causaram tanta dor e mataram tantos dos seus, prejudicando parte grande de sua história.




Diego Maradona era herói, era também um anti-herói. Era D10S, mas era demônio. E incorporava todos esses personagens porque era simplesmente um ser humano normal -ou quase isso- passível de erros e escorregões. Mas cá entre nós, qual ser humano normal seria digno de ter um trono destinado ao seu traseiro -divino?-


O personagem que perdemos hoje era daqueles maiores que a própria vida. Era grande pelo que fez, pela forma que fez, e sobretudo por quem representava ao realizar suas façanhas. Diego, assim como Deus, era de sua gente e por ela operava seus milagres.


Diego Armando Maradona nos gramados era Che, era Fidel, era Lula. E ele não amava tanto esses líderes por acaso. Assim como eles, El Pibe de Oro representou a realização da utopia e da ilusão. Afinal, quem em sã consciência acreditaria que um gordinho rebelde de 1,65 poderia carregar a esperança de um povo tão sofrido em suas costas com tanta naturalidade? Não à toa foi necessária uma mãozinha.

Ilustraçao capa: Arte de Lucas Levitan, @Lucaslevitan no instagram

27 visualizações0 comentário

Posts recentes

Ver tudo
O que você achou dessa exposição ?
APOIE A NOSSA CAUSA
Deixe uma doação única de R$10
arrow&v
logo painel.jpg
logo painel.jpg