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No Painel convida #4 : Leon P. Mendoza- TRAVESSIA EM TORNO DO EU

No painel convida essa semana: Leon Perez Mendoza, publicitário propagando o que não se vende. Entusiasta da filosofia de botequim, que em época de quarentena faz do painel sua mesa de bar e tenta falar sobre coisas que vê valor


Perante o abismo de ser e sentir, eu sigo atravessando uma controversa corda. Por diversas palavras que não fazem jus aos meus sentidos mais puros. Pois sei que há algo maior e anterior a essas representações linguísticas. Algo intocável que permeia o meu ser antes de sê-lo notado. O não dito.


O não dito é diz mais sobre o que somos do que qualquer representação. E tenho dito. Ele é uma oculta força criativa e também um grande mistério universal. O que é que somos por dentro da casca de humanos? O que somos antes do pensar e da ação que dá vasão a nossa existência ser concebida e conhecida no mundo? O que somos vem antes de questionarmos o por quê de estarmos. E essa pode até essa ser a questão mais central e importante da humanidade.


Buscar sentido em ser no mundo é uma caminhada utópica. Mas se afasta a medida que tentamos simbolizar o que nao carece de símbolos. Não pode existir sentido geral e racional, se tudo que pensamos é do mundo dos homens e há muito mais coisas entre o céu e a terra do que imagina nossa vã filosofia. Tudo que pensamos carrega construções e necessita recortes para seu estudo, e há muito velado entre isso tudo.


Mistérios a parte sigo a travessia em mutação, hora cadência, hora correria. As vezes tropeçamos nas escolhas e passamos momentos inglórios. Por isso exercito a paciência no dia-a-dia. A natureza das coisas é um caos harmônico e sua invisível dinâmica das causalidades. Cuidado para não se confundir com casualidades. Existe uma ordem desordenada do que não regemos...


Aliás, o que regemos afinal se não nossa própria presença enquanto existimos?

A caminhada não pode e nem deve nos afastar de nós. Por isso autoconhecimento é uma prática para o acesso a lugares ocultos do nosso ser. É possível conseguir esse acesso através de respiração consciente e meditação. Com um observar livre de juízos, com o coração, onde alcançamos um estado de não-mente. E com isso temos a percepção de porque somos como somos e agimos como agimos. Entrando em contato com um eu em estado maior. Isso pode modificar nosso modus operandi na relação com tudo ao redor.


Somos apenas um mísero instante de pouca coisa, que mesmo frente a frente consigo mesmo, ainda não tem o controle. No entanto, o existir nunca é pequeno e pode ser sempre mais grandioso a medida que nos relacionamos melhor em comunhão com outros seres e o universo. Mas nós, como seres pensantes e inquietos queremos dar passos maiores que a perna. A medida que medimos e nomeamos coisas para apreender, sistematizar e dominar, menos escutamos. Tanto a nós mesmos, quanto os outros. Assim afrouxamos os laços com o interior.


Imergir em autoconhecimento, ao invés de apenas nas ciências que perpetuam mais desigualdades, pode trazer a humanidade um convívio mais saudável. Conhecer o inominável, o não doutrinável, o livre de intenção.


Nos tornar mais humildes e compassivos parece o caminho de um inocente para a óbvia derrota, quando se pensa em competir. Por isso o amor é um ato de coragem, pois não se almeja vitória.


Mais se engana quem pensa que estamos em uma corrida. A corda parece circular, me aproximo e afasto em ciclos, e quanto mais afastamos da inocência mais longe estamos do amor. A maior das sabedorias está contida no amor genuíno. Aquele que até hoje não se pôde explicar.

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