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O fisiologismo e o mercado vencerão o ontem.

Domingo, ou melhor, segunda já se permeiam as primeiras horas de um novo dia. Esse o qual foi posterior ás eleições por todo o Brasil. Nela traços importantes podem ser vistos em uma analise, digamos, superficial no trato, mas profunda na composição. O fisiologismo venceu, o mercado venceu, os radicais se desidrataram e as novas forças ideológicas da critica da relação trabalho/ capital não despontaram, pelo menos não na proporção que se esperava.


Antes de qualquer ensaio sobre ontem precisamos nos estimular a uma noção do anteontem. Principalmente as narrativas elaboradas pelos marginalistas: da perspectiva econômica e sua influencia na democracia liberal como um todo. Assumi a noção de democracia liberal em breve resumo porque na modulação teórica é essa a categoria assumida pelos pensadores do assunto.


Em grosso modo significa uma democracia vinculada em uma produção de vida e reprodução da sociedade a qual se participa de maneira seccional nos pleitos eleitorais, e se delega a um terceiro os tramite e ritos necessários a funcionalidade do estado.


Ou seja, ela é uma democracia que tem no seu alicerce a isonomia, cada um tem um voto igual aos outros na quantificação. A delegação, os eleitos assumem papel de centralidade na tomada de decisão. E os direitos naturais, as resoluções serão definidas por processos jurídico-políticos como princípios inerentes.


Entendendo essa sustentação podemos fazer um aporte de casualidade com as demandas dos partidos. Aqueles partidos que se distanciaram de viés ideológico com mais densidade se sobressaíram sobre os outros. Mesmo o radicalismo de direita revelação da ultima instancia municipal não se provou forte ao ponto de continuar nas eleições de ontem, o que isso significa? Significa que há uma afeição do estado nas forças fisiológicas e essa é uma superação difícil de ser deposta. Mas porque esse caminho percorre toda a capilaridade de um pais de se ver de maneira datada como cosmopolita?


Respondo recorrendo á escola austríaca de econômica e, sobretudo a Hayek. Esse ideólogo marginalista acreditava que a necessidade do Estado não é subserviência e distanciamento do mercado, como se pensavam os seus antecessores os liberais clássicos. Acreditou Hayek que o Estado tinha que fortalecer o mercado competitivo, isto é, estimular a competição e combater monopólios, ao passo que essa postura não é passiva, entretanto ativa de maneira reservada, e ao assumi-la, essa competição fomentaria uma necessidade de desenvolvimento da realidade.


Veja, estamos aqui diante de um conceito de plano o qual codifica a operação do estado e sua razão. Entretanto o que isso tem a ver com a democracia liberal ? Tudo, se a democracia liberal tem natureza de delegação e se opera de tempos em tempos. Ela perde em alguma medida espaço ao mercado. Esse na concepção marginal como o real regulador das condições de existência, ou seja, os estilos dos partidos que forneçam uma condição à estrutura do mercado como agente e não á democracia mais participativa se fortalece.


A ideologia por outro lado distancia qualquer razão própria de assimilar a realidade apenas como um jogo de maximizar sua condição natural. O utilitarismo não tem forte fonte na capacidade de produção conceitual, seu dogma é todo voltado a um expansionismo instintivo, e isso não afere necessariamente uma ideologia ou razoabilidade profunda. Portanto, os partidos que se postulam com uma visão mais utilitária do estado e menos ideológica se dão melhor.


O povo afastado pela democracia liberal e subjetivamente afetado pelas opções utilitárias não teve muito o que fazer? O mesmo e velho Centrao capitalizou o pais de cabo a rabo. Os mesmos que operam o estado de maneira utilitária há décadas. Os ideólogos sentiram a derrota, principalmente os extremistas, esses os quais viram sua linguagem ser decomposta pela falta de retorica deles e do seu símbolo maior, Jair Bolsonaro.


De certo não é algo triste ver a ideologia extremista perderem, fiquei feliz confesso. Entretanto pensava que algo na consciência coletiva se aproximaria de uma ideologia voltada a sensibilidade de equidade e melhor condições entre a relação trabalho/capital. Isso aconteceu, porem de maneira tímida, mas continuemos nossos esforços.


Todavia cabe aqui a critica a modelagem da nossa democracia que cada vez mais perde espaço a forças do mercado, essas as quais necessitam de partidos utilitários e fisiológicos e não de movimentos sociais ou instrumentos participativos.


Para terminar a eleição não acaba na tecla confirma, estimule canais de participação a maior condição que sua vida permitir, sustente ligações e converse sobre politica, se politize. Será um forte caminho para mitigar as forças de mercado que modulam e querem sustentar essa relação entre democracia liberal e estado moderador aqui brevemente refletida.


Haron Francelin

Bacharel em Ciências Sociais, graduando em Direito. Fazer voz é observar o tempo, entusiasta das palavras.

Ilustração capa: Poder 360

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