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O suavização das relações e o mundo sem rusga!!

Os adjetivos estão sendo caçados pelo capitalismo. Cada peculiaridade, cada diferença, cada rusga, tem que ser tratada, devemos ser isonômicos no limite. Sem detalhes, sem diferenças, como mercadorias fabricadas em larga escala em qualquer indústria fordista. O liberalismo venceu, para as mercadorias circularem de maneira mais tranquila é necessário que nos mesmos, mercadorias também nos tornemos. As relações são suaves, sem tensão, sem razão e sem tesao. Em outras palavras sem o humano, algo impensável na modernidade com a emancipação procurada e vislumbrada. Hoje no pós moderno é diferente, o humano quer se embotar. Dentro do seu espaço, com sua liberdade cerceada na falta de singularidade. Proprietários da liberdade, mas não da autenticidade. Seja livre, desde que sem rusga e amorfo.


Qualquer categoria, alegórica por natureza se tornou uma ofensa. Não pode ser taxado de gordo, nem de magro, nem de feio, nem de chato, nem de isso, nem aquilo. A hiperinflação da complexidade, remodelada pelas empresas de fármacos e pelos psicólogos. Eles psicólogos são os únicos que podem categorizar os outros sem culpa. Depressivo, ansioso, bipolar, déficit de atenção e hiperativo, alguns dos muitos caminhos do rol taxativo psicológico.


Espere e agora pense. Esse não seria o efeito da primeira causa, viver sem rusga não embota uma necessidade ansiosa, depressiva e bipolar de encarar a vida. O humor se perdeu nessa complexidade aqui citada. Pobres humoristas que ainda relutam a tamanha tensão. Uma vez um humorista me disse que o humor, o riso, é a arte mais nobre, porque ela não precisa ser codificada, ou você ri instantaneamente ou não ri. Se tiver que explicar a piada é porque ela não é mais piada. Com ele concordo e me solidarizo.


Logico que não se pode generalizar. Existem categorias que são pejorativas e elas tem que ser enfrentadas e acabar no fim se desidratando do tecido social. Isso é uma nobre luta histórica. Entretanto essa é uma relação de força que não pode ser importada para todos os contextos da vida. Veja, em um mundo em que a linguagem é inimiga do homem se torna insustentável qualquer estabilidade de relações. Se tudo ofende, nada ofende. Essa amplitude semântica é muito perigosa porque ela pode cometer equívocos se não tratada com uma prospecção de caso á caso.


Para mim isso tudo se explica por outra maneira, diferente do encarado em boa medida pelos psicólogos. Eles psicólogos responsáveis por muita loucura. A sociedade ou um arranjo de indivíduos se orquestra pela forma de produção de vida e pela reprodução dela nos seus espectros, esses espectros os quais possuem peculiaridades. Estamos inseridos de maneira imperceptível em uma logica de produção de vida, associada ao capital. A forma mercadoria ela gênese desse modelo precisa se difundir, ao passo que o capital é insaciável. Ele sempre busca formas de se ampliar.


Para sua amplitude ser amena e constante o mundo precisa ser orquestrado por pressupostos muito bem direcionados. Como os direitos naturais, a concepção do individuo como ‘’um’’ porem sem a singularidade, a liberdade de escolha, a unidade monetária universal entre outras circunstancias que condicionam á existência da forma mercadoria em seu movimento de amplitude.


Pois bem, a aceitação desse fluxo transformou a ontologia da subjetividade , em razão de que não é mais o homem o agente, mas sim o reagente. Homem esse não o presente na égide do direito formal, mas o material, intelectual e simbológico. Esse se aposenta da centralidade de sujeito e se torna objeto, do agora sujeito fluxo de capital. O capital é o sujeito da historia e pela necessidade de amplitude da forma mercadoria ele circunscreve o homem, mais e mais, ao passo que a linguagem se cala aos caprichos de uma suavização para a mercadoria se ampliar.


A ideologia hegemônica liberal é a proteção para compor cada vez mais uma linguagem estéril. Somada a esse detrimento da linguagem estão a impessoalidade e a falta de corporativismo acentuada. A primeira oriunda de uma subjetividade reservada e receosa, a qual carece de uma linguagem que a complete, causando como efeitos uma reverberação de psiques não ‘’normativas’’. Veja, aceitar ser coadjuvante é a normatividade procurada?


Do outro lado uma falta de corporativismo em que os quadros de aproximação não tem mais vinculo com condições de experiências naturais, mas sim com a não intromissão nos fluxos de capital, condicionando a uma desidratação de coletividades e uma crescente no trabalho autônomo.


Tudo se reserva. Tudo se afasta. Tudo se cala. Produção, relação e linguagem. Essa tríade aqui compreendida como espinha dorsal do paradigma moderno, esta cada vez mais circunscrita pela força do capital. Contudo a essa exposição se vislumbra uma consequência positiva e negativa . A positiva nos propõe uma relação desconstrutiva,não da linguagem, mas do capital. Utilizar da linguagem para fomentar uma razão critica que nos possibilite enxergar a sintaxe da historia e nos compreendermos como objeto de um sujeito cada vez mais determinado. Para com isso reabilitarmos nossa capacidade de emancipação.


Já a outra negativa é a resposta fascista. Com a carência de linguagem e de agrupamentos humanos, os guetos começam a se insurgir, por não encontrar a resposta no capital, Células de histeria são sensibilizadas. Células essas que procuram reabitar a linguagem e o corporativo perdido, entretanto de maneira impositiva, ao contrario da razão critica que tem uma ordem interdepende entre a natureza multifacetada.


Não quero atrofiar minha linguagem para terminar, calado e medicado. Precisamos condicionar a experiência humana a centralidade perdida, essa é a resposta as mazelas ao meu ver que precisam ser encaradas. Permita as rusgas.



Haron Francelin

Bacharel em Ciências Sociais, graduando em Direito. Fazer voz é observar o tempo, entusiasta das palavras.

Ilustração capa: Folha Vitoria

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