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O VIZINHO E O ESPIRITO DAS COISAS

O espírito das coisas, para além de qualquer concepção metafisica, carrega em si uma significância própria, cognitiva. A realidade das coisas e como as interpretamos é o campo de disputa desde os primórdios platônicos.


A modernidade ainda desperta muitos questionamentos sobre quem é o sujeito da historia? As coisas significam os homens ou os homens significam as coisas? Enfim, essa pretensão é de fato algo muito profundo para um trato em um texto dessa natureza.


É, no entanto, importante e relevante nos ocuparmos da duvida ao observar os agentes, não de maneira residual, mas sim sofisticada. Aonde se quer chegar?


É importante ler nas entrelinhas, no simbolismo metafisico que certos desdobramentos nos demonstram. A linguagem oculta o falar das coisas que tanto desperta noções diferentes da relação sujeito e objeto.


Nessa dicotomia pretensiosa, relato um fato que despertou tamanho espanto. A travessia presidencial, acompanhada de uma classe de empresários e o ministro da economia, para uma visita ‘’surpresa’’ ao STF.


Para quem não conhece Brasília, ela tem uma significância arquitetônica muito expressiva, os grandes blocos de concreto e mármore falam muito, isto é, seu próprio arranjo espacial é uma forma explicita de demonstrar a intenção republicana de sua construção.


Desse modo, esse “transito extraordinário” de pessoas mascaradas pela praça dos três poderes, acompanhado da imprensa é algo inusitado, sobretudo, se essa patota pertencer ao Presidente da Republica, ou seja, certos corpos tem sua dinâmica bem determinada dentro do arranjo das coisas, essa irregularidade é além de incomum, perigosa.


De certo que os objetos possuem uma sacralidade que possibilita a defesa de seu espirito, nessa solidez se fomenta a harmonia dos poderes possibilitando a defesa contra arbítrios de sujeitos, esses os quais não respeitam seu modo e sua dinâmica. Esse desrespeito é fatídico quando se perde a credibilidade nas formas e começa a desidratar preceitos republicanos.


E isso se concretizou, calando a norma das coisas e dos corpos, se cometeu esse ataque ao requinte republicano, esse dispositivo de atuação vulgar foi possível dentro do ordenamento publico brasileiro.


Em outras palavras, Bolsonaro cometeu um ataque ao vigor metafísico das coisas, e assim abriu a possibilidade para futuras investidas, quando a maré baixar e as pedras sobressaírem do fundo do mar.


Ao futuro, quem garante que as próximas investidas serão de forma‘’pacifica’’? Assim quando se permite uma ruptura metafisica, se constrói um espirito de permeabilidade, ou melhor, quando se provoca um evento desse feitio, se disponibiliza que outros eventos dessa forma ou mais graves aconteçam.


Essa marcha deselegante teve na sua composição uma figuração muito expressiva no campo simbólico, empresários - nicho econômico conservador - Foram eles lá, reforçar a insatisfação com a atual política governamental, à qual esta atrapalhando o negócio dos próprios.


Essas reclamações - pasmem - se deram ao próprio presidente do STF, dentro do prédio da instituição. Ora, qual a razão para Dias Toffoli receber essa “patota” em uma mesa ampla em que todos sentavam de maneira “uníssona” se observavam como se com os olhos demonstrassem uma congruência e uma equidade de interesses.


Nunca na historia desse país o simbolismo institucional foi tão perverso e vulgar, dado que posturas dessa propriedade são realizadas em outras esferas da vida publica, não no trato com os poderes, sobretudo em um momento de elevada crise, em miúdos, não se atravessa a rua e coage o ’’ vizinho’’ em sua própria casa em um momento de fragilidade.


‘’Vizinho’’ esse que se destaca com uma subserviência nunca vista, impróprio para perceber o ataque ao metafisico, ingênuo para ler nas entrelinhas. Ora, como ocupa um cargo de tamanha importância se não desenvolve uma defesa ao seu próprio espirito da sua instituição.


Desse modo essa fragilidade que permitiu essa invasão, é algo a ser discutido e acompanhado por toda a esfera civil e intelectual, devemos respeitar o espirito das coisas, ainda mais em tempos de crise.


Cada simbolismo é minucioso e reservado de segundas intenções que podem se transformar em ‘’perigo real’’ para a ordem da republica, isto é, ficar atento aos mínimos detalhes é o racional a ser feito em momentos como esse.


Não atenda ao vizinho quando este vier invadir sua própria casa.



Haron Francelin



Bacharel em Ciências Sociais, graduando em Direito. Fazer voz é observar o tempo, entusiasta das palavras.






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