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Tic Tac Nervoso

Dizem que as noites longas são inflexivas, talvez frias, pouco se observa em seu sopro pela madrugada. Dela só quer o fim, o amanhecer, talvez esperança. Os dedos se afagam uns aos outros em busca de sentido, comprimidos pelo toque que sugere a ansiedade, antes tarde. Àquela hora passasse mais depressa. Se perde no tedio, comprido, longo, envelhecido. Difere do verão, do calor , do quente, da manha, das musicas que fazem dançar. Ali parado no tempo afagando dedo sobre dedo, sem sentido, na esperança de compreender e se apaixonar de novo pelo tempo. Remota, transforma, sugere um escopo de reação, nada não, alarme falso. Apenas dedo sobre dedo em um afago maçante, maciço que massageia talvez a esperança. A noite não tem o brilho que espera, ela é longa, fria e reluta ao amanhecer. Conforto no gesto, no corpo, no próprio, no resíduo. Desgosto, do fora, das coisas, da mora, do transcendental. Sem voz, só, silencio, sem solidão, singelo segue dedo sobre dedo, o desejo contornando o tedio esperando o amanha. Amargura não tem, nada, nem você , nem ele , nem nos, só a madrugada. Os dedos se afagam e sobem o tom da impaciência reluta, suspira, supõe em consistência. Devora o ritmo dos dedos, atenua a perturbação. Respira pelo tato, descomprime. O ritmo sustenta conforto, dedo sobre dedo em um afago por sentido. Não produz sensação, não altera o mundo, profundo. Sem pressa, segundo por segundo. Debruçado na espera de um novo amanha. Dedo sobre dedo em um constante tic- tac nervoso


Direitos naturais são categorias metafisicas


Haron Francelin


Bacharel em Ciências Sociais, graduando em Direito. Fazer voz é observar o tempo, entusiasta das palavras.


Ilustração Capa: Google Apps

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