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Todo Carnaval tem seu fim

Seria injusto falar que o meu não teve começo. Apesar da referência ao período do ano de festividades de grande representatividade para nós brasileiros, falo aqui sobre outro tipo de ritual divertido que comigo funciona igualmente por hiato de tempo: A escrita. Para isso preciso contar um pouco da história desse blog e de como me envolvi No Painel.


Acredito que adiei este texto buscando inspiração para escrevê-lo, ou acreditando que de um dia para outro, a rotina de estímulo e reflexão resultariam em novas ideias. Porém, isso é totalmente oposto à origem e proposta do Blog. A espontaneidade e leveza de criação, a vontade de expor opinião e agregar debate está no cerne e desenvolvimento do site.


Em abril de 2020, mês que representou início de uma quarentena resultante da pandemia do Corona Vírus, houve as primeiras conversas sobre a criação de um site onde amigos pudessem compartilhar opiniões sobre temas diversos e, também, estimular outras pessoas a escreverem.

Os debates sobre política eram efervescentes nos grupos de WhatsApp da época e toda a situação de incertezas ampliava a vontade de escrever e compartilhar o que estava sendo escrito. A política aqui não era simbolizada apenas por fatos institucionais, mas pela própria vida social que nós ali observávamos. Escrever foi uma atividade criativa na qual eu sentia e transformava minha própria percepção histórica individual e coletiva, baseada no próprio sentido de atividade sensível, subjetiva e transformadora.


A escrita aqui representa uma forma única de expressão. Ela é interna, envolve seu próprio tempo e espaço e, dessa forma, a primeira pessoa que escreve também é a que lê. Mas, para mim, ela também representa algo externo, algo que não necessariamente consigo dizer, mas que em algum momento gostaria de compartilhar.


Lembro-me dos primeiros diálogos com o idealizador do site, Haron, que compartilhava ideias, textos, operacionalizava o site e ainda teve tempo para juntar os colaboradores iniciais e estimular postagem de autores eventuais. Sobre essa abertura, lembro que inicialmente fui resistente, pois acreditava que visões políticas distintas poderiam incentivar a política de cancelamento virtual tão debatida atualmente (Painel com P). Bobagem minha, quem teve tempo e paciência para ler a proposta do site e escrever nele contribuiria (e contribuiu), de alguma forma, com nosso objetivo.


E assim foi, como toda boa criação, seguindo suas mutações, contribuições e avanços, o Blog cresceu e se desenvolveu. Na primeira semana houve um Boom de Views que nos estimulou e assustou ao mesmo tempo. Logo nos primeiros dias, mesmo com divulgação precária, mais de 1000 diferentes Ips acessaram os textos. Claro que no atual cenário de mídia digital a casa dos milhares não parece grande coisa, mas sabemos que na Sociedade do Espetáculo tudo está vinculado a monetização, dessa forma, não era de se esperar que aquele projeto, que custou 13 reais, ou segundo a fala do idealizador “o preço de um Litrão”, tivesse tantas visualizações.


E assim fui escrevendo: primeiro sobre percepções da política partidária, depois sentimento relacionados à vivência do trabalho, também sobre críticas ao saudosismo ditatorial e, posteriormente, a possibilidade de admiração pessoal em oposição à ideologia. Experiências na quarentena foram temas de outros textos. Falei também sobre identificação de pseudo-meritrocracias e relações afetivas próprias. Por fim, todo debate maçante, mas necessário sobre as eleições em diversas publicações. Muitos temas foram debatidos e defendidos com opiniões construídas e hoje em dia, até alteradas. Porém, era o que eu precisava refletir e compartilhar nos momentos indicados.


Como não falar das contribuições dos meus amigos nas publicações do site. Lembro-me de textos do Felipe (vulgo Palmeirinha) como Em análise, de percepção realista e angustiante; contribuições de Lian de crítica social sempre retomando importantes teóricos das ciências humanas, como em As migalhas que recebem; textos de Marcola com abordagem a temas complexos de forma profunda e objetiva, como em Pane no sistema V; da percepção de mundo de forma leve e poética da Ana, em Abram as cortinas; e o próprio entendimento político-filosófico do idealizador do site, Haron, como em O vizinho e o espirito das coisas. Os relíquias realmente representaram!

Outros momentos foram importantes e estimuladores como os textos dos meus familiares no quadro Convida. As indicações de filmes e livros no Painel Indica e a parceria com o podcast do BPS divulgando o ótimo trabalho jornalístico do Simonelli.


Por fim, os textos que eram para ser semanais foram ficando mais esporádicos, o retorno do trabalho presencial diário bateu a porta e a rotina do dia-dia dificultou a inspiração e criação dos novos textos. Assim resolvi dar uma pausa e nada melhor do que a escrita para simbolizá-la.


Não sei se haverá inspiração futura para retomada da escrita constante. Como contribuição fica aqui o convite para releituras e novas interpretações do que aqui foi escrito e tão debatido com pessoas próximas em 2020. Como diz a sinopse do No Painel “opiniões incertas sobre acontecimentos do mundo”, a única certeza que tenho foi que o objetivo do site foi alcançado.


Heythor S. Oliveira

Cientista Social (UFSCar), Mestre em Ciência Política (UFSCar) e especialista em gestão pública municipal (Unifesp). Trabalhador do SUAS e morador da Zona Sul da capital paulista. Falo sobre politica e assuntos diversos . Tentando acreditar em um mundo melhor, me ajudem

ilustraçao capa: Patos noticiais

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